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O crescimento da Associação Orquidófila Piracicabana - ORQUIPIRA foi a mola propulsora para a criação deste canal de comunicação, já que realizamos inúmeras atividades e nem sempre a divulgação dos eventos era feita de modo adequado. Utilize este espaço para sugerir, opinar, criticar, divulgar eventos relacionados a orquidofilia. Queremos fazer deste blog uma ferramenta importante para cada aficcionado pelas orquídeas.

Saudações orquidófilas

Robinson Viegas dos Reis
Presidente da ORQUIPIRA

segunda-feira, 4 de junho de 2012

As mudanças nas categorias de julgamento da CAOB

"Espertos os que aprendem com os erros alheios e burros aqueles que só aprendem com seus próprios erros (ou muitas vezes nem assim aprendem)". Alguns poucos orquidófilos reunidos na cidade de Lins, resolveram mudar as categorias de julgamento e re-editaram a divisão para espécies em nacional e estrangeira, algo já tentado no passado e que se não funcionou antes, dificilmente funcionará agora.
Já na primeira semana das novas regras, notamos a dificuldade de aplicá-las na prática. Schomburgkia foi colocada em espécie estrangeira, mesmo existindo no Brasil. Em Porto Feliz o primeiro lugar de espécie estrangeira é corte de uma planta coletada em Goiás/Brasil. Difícil de explicar, não? Para trazer um pouco de luz e conhecimento  sobre a espécie Schomburgkia crispa, anexo abaixo texto do conhecido orquidófilo carioca Carlos Keller. Leiam e tirem suas conclusões

"Essa linda espécie foi descrita por Lindleyi em 1838 em homenagem a Richard Schomburgk, um botânico alemão que explorou a Guiana Inglesa por volta de 1800. Ela habita todo o norte da América do Sul e tanto cresce em árvores como em frestas nas rochas. É uma planta rústica e robusta que necessita de muita luz para florescer bem. Existe alguma confusão com respeito a sua classificação, pois para alguns a Schomburgkia crispa é uma espécie com flores roxas e labelo violáceo e não esta aqui, que na forma tipo possui flores castanhas com labelo lilás claro. Esta também é tratada por alguns especialistas como Schomburgkia fimbriata. Seguindo, no entanto, as revistas e livros mais acessíveis, eu a mantive com o nome Schomburgkia crispa. O exemplar da foto é albo ou albino e essa forma mutante na minha opinião é muito mais bonita do que a forma tipo. Ela está sendo cultivada em um cachepot de madeira com sphagnum e brita nº 1 como substrato.
A planta fica pendurada bem no alto do orquidário para que possa receber bastante luz. Quando a longa haste floral começa a crescer, sou obrigado a baixar o cachepot para que os botões não se queimem ao tocarem no teto quente. A planta em si é muito bonita, pois a base dos bulbos é muito fina, o que é de admirar já que a haste do cacho floral pode chegar a 1 metro e meio de comprimento e balança à menor brisa. A força da base que sustenta tudo isso deve ser enorme. Cada bulbo tem duas folhas do tamanho de uma folha de Cattleya labiata. A inflorescência regula em tamanho com a de um Agapanthus africano e é interessante notar que as brácteas das flores ficam secas lá dentro dando uma visão mais compacta do cacho. Cada flor tem o tamanho de uma Laelia flava. Já tive a oportunidade de ver uma touceira da forma tipo com mais de 10 cachos florais e digo que essa é uma visão inesquecível. As hastes que sustentam as inflorescências provavelmente são assim longas para poderem atravessar a copa das árvores e expor as flores aos polinizadores lá em cima, já que essa espécie vegeta nas forquilhas mais grossas, à meia altura. A planta da foto foi descoberta e coletada no perímetro urbano da cidade goiana de Catalão por três amigos orquidófilos, um morador de Catalão, outro morador de Goianésia, uma cidade vizinha a Catalão e o terceiro, morador de Santa Bárbara do Oeste, SP. Acostumados a fazer coletas de orquídeas, eles ficaram sabendo que em uma área que estava sendo terraplanada para a construção de um loteamento de casas populares, havia uma grande árvore cheia de “parasitas” e que provavelmente essa árvore estava na mira dos tratores que fariam a derrubada. Ao lá chegarem, eles identificaram as parasitas como sendo na verdade uma imensa touceira, ou um aglomerado de touceiras, deSchomburgkia crispa. O morador de Catalão é bombeiro e levou consigo o equipamento de rappel, o que o permitiu subir na árvore com facilidade. Ao começar a derrubar aquela imensa quantidade de bulbos, ele percebeu que parte da touceira exibia flores albas. Essa parte foi retirada com cuidado e separada da planta tipo, o que resultou em aproximadamente 300 bulbos de Schomburgkia crispa alba. A planta foi dividida igualmente em 3 partes, uma para cada coletor e essas partes foram posteriormente re-divididas em cortes com aproximadamente 3 bulbos cada e vendidos no mercado orquidófilo. A divisão que está na foto veio da parte que ficou com o coletor de Santa Bárbara do Oeste. Ainda hoje existem orquidários que possuem cortes dessa planta para venda. Já foram feitas duas sementeiras de self desse clone e já existem seedlings à venda. A Schomburgkia é uma orquídea de imensa beleza decorativa, que tanto fica bem quando cultivada em vasos em orquidários, quanto em árvores no jardim". 

Schomburgkia crispa alba - foto e cultivo Carlos Keller
Schomburgkia crispa alba - foto e cultivo Carlos Keller

Só para citar nova discrepância criada pelas novas regras, falemos da aclamada Cattleya walkeriana. Neste final de semana ocorreram 3 exposições: em Porto Feliz ela foi julgada e premiada como categoria I, espécie nacional, obtendo um segundo lugar; em São Joaquim da Barra foi julgada e premiada na categoria X, sazonais, recebendo primeiro, segundo e terceiro lugares e em Vespasiano foi feito uma exposição apenas da espécie , com pódio separado da exposição geral, ficando a categoria sazonais em branco! Durma-se com um barulho destes.

2 comentários:

Fernando Maioli - Ivoti/RS fernandorchids@gmail.com disse...

Esta questão entre nacional e estrangeira é muito delicada, até porque a natureza não tem fronteira política. Mas o critério aceito, é de saber onde a planta é endêmica, não importando se ultrapassou fronteiras... Vejam o exemplo da C. eldorado, na amazônia, ela é encontrada também na Venezuela, Colômbia e Perú; ou passamos a citar exemplos nacionais mesmo, a C. intermedia, planta endêmica do RS, mas encontrada até no RJ (e Uruguai também). Basta um pouco de bom senso, ou vamos cair na armadilha de que o Dendrobium nobile é endêmica dos estados do sul do país porque encontramos em qualquer árvore de rua, porque o povo do sul diz "as comunzinhas de rua"

Robinson disse...

Quando criamos critérios para qualquer coisa, nunca contentaremos a todos. Minha principal crítica em relação a divisão do julgamento em nacional e estrangeira é o fato de não existir diferenças significativas entre plantas como Cattleya jenmanii e Cattleya labiata ou Catleya warnerii ou Cattleya trianae ou Cattleya schroederae ou .... Para que separar em duas categorias plantas tão próximas de um gênero com poucas espécies e juntar na mesma categoria Bulbophyllum, Dendrobium Coelogyne com mais de 2000 espécies. Será que isto não é um retrocesso, valorizar plantas que há séculos eram sem dúvida as mais importantes e desvalorizar o que é hoje a maior tendência dos colecionadores com centenas de novidades em gêneros com apenas uma categoria de julgamento, como todas as espécies monopodiais, ou mesmo os já citados Dendrobium, Bulbophyllum e Coelogyne. Só acho que é valorizar demais um gênero em detrimento de outros (sem contar as maracutaias nos julgamentos de Cattleyas para valorizar seu produto ou desvalorizar o do adversário). É para pensar!